Município de Toritama

Município de Toritama

HISTÓRIA DO MUNICÍPIO

Desmembrado do município de Taquaritinga do Norte
Data de criação: 29/12/1953 Lei Estadual nº 1.818
Data de instalação: 23/05/1954
Data cívica (aniversário da cidade): 30/12

Em meados do século XIX havia uma fazenda de criação de gado nas terras hoje ocupadas pelo município de Toritama. Essa fazenda, de propriedade de João Barbosa, era denominada Torres, em virtude de uma grande serra situada a cerca de 1 km do local, na qual se erguem várias pedras, uma das quais medindo aproximadamente 30 m de altura, com a aparência de uma torre. No topo dessa serra foi erguido um cruzeiro. João Barbosa doou um terreno (parte de suas terras) medindo cerca de 150 m de comprimento por 40 m de largura, à margem esquerda do rio Capibaribe, para construção e patrimônio de uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição.

A partir da construção dessa capela começou o povoamento do local, de onde se originou a cidade. A primeira casa edificada nas imediações da capela pertencia a José Cabral. Em 1868 o lugarejo já contava com 20 casas de taipa e tinha o topônimo de Torres, o mesmo da fazenda. No centro do povoado existia um barraco onde se praticava o pequeno comércio de farinha, milho, feijão e outros gêneros alimentícios da região. Os principais comerciantes dessa época eram os senhores Amaro Gomes Santiago, João Pereira Tabosa e Manoel Limeira.

Em 1923 foi construída uma ponte de cimento armado sobre o rio Capibaribe, ligando o povoado de Torres ao vizinho município de Caruaru. Essa ponte intensificou o comércio local que passou a receber maior afluência de feirantes de Caruaru, o que dinamizou a sua economia baseada em produtos agropecuários. Antes da construção os feirantes tinham grande dificuldade em atravessar o rio, principalmente na época das chuvas, quando ocorrem grandes enchentes.

Por solicitação do bacharel João Jorge Pereira Tejo foi criado o distrito de Torres, pela Lei Municipal nº 219, de 15 de novembro de 1924, integrando o município de Vertentes. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933 o distrito de Torres figura no município de Vertentes, assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937. No dia 09 de dezembro de 1938 o distrito de Torres foi desmembrado de Vertentes através do Decreto-lei Estadual nº 235, passando a integrar o município de Taquaritinga, assim aparecendo no quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943.

Pelo Decreto-lei Estadual nº 952, de 31 de dezembro de 1943, que estabeleceu a divisão territorial judiciárioadministrativa do estado de Pernambuco, para vigorar no período 1944-1948, o município de Taquaritinga passou a denominar-se Taquaritinga do Norte e o distrito de Torres teve seu topônimo alterado para Toritama, 4º distrito e sede da vila de mesmo nome.

O distrito de Toritama emancipou-se de Taquaritinga do Norte e foi elevado à categoria de município, mantendo a mesma denominação e o mesmo limite do distrito, pela Lei Estadual nº 1.818, de 29 de dezembro de 1953. Essa mesma lei criou a comarca. No dia seguinte o estado referendou a criação do município, formado apenas pelo distrito-sede, através da Lei nº 1.819. O município e a comarca foram instalados no dia 23 de maio de 1954. O primeiro juiz que atuou na comarca foi José Ferreira de Lima. O primeiro prefeito, nomeado, foi José Manoel da Silva, que passou o cargo ao prefeito eleito João Manuel da Silva.

No dia 05 de agosto de 1969 o Decreto-lei Estadual nº 61 extinguiu a comarca de Toritama, que passou a termo da comarca de Vertentes. A comarca foi restaurada pela Lei nº 7.503, de 18 de novembro de 1977, e é classificada como de 1ª entrância.

Toritama é hoje um dos maiores produtores de jeans do país, integrando o Polo de Confecções do Agreste Pernambucano juntamente com Caruaru e Santa Cruz do Capibaribe.

A origem do topônimo Toritama é das mais controversas, havendo várias versões (citado in Pernambucânia: o que há nos nomes das nossas cidades). Para alguns autores seria uma derivação do nome da Fazenda Torres, passado para o idioma indígena. Poderia também ter origem em tori, significando pedra, e tama, região. Nesse caso, uma alusão às numerosas pedras que ficam às margens e no leito do rio Capibaribe, de formatos e tamanhos diferentes.

O historiador e jornalista Mário Melo também interpretava como “região das pedras”. Luiz Caldas Tibiriçá afirma ser uma decorrência do tupi do século XVIII, tory-etama, significando “facho de luz, região do farol”. Para o sociólogo Roberto Harrop Galvão seria uma palavra artificial, inventada de partículas do tupi. Para manter a antiga denominação Torres, juntou-se a ela o tupi retama (região), formando Torretama, simplificando a pronúncia para Toretama e daí a Toritama. Outra hipótese seria uma composição de tor’iba (felicidade) e re’tama (região), resultando em “terra da felicidade”. Outra hipótese ainda seria uma corruptela de itá (pedra) + retama (região), deformando-se de ita-retama para ta-retama, depois to-retama até chegar a tori-tama. Na opinião de Mário J. de Araújo, um historiador local, significaria “terra de fogo e de sangue”.

Fontes:
Agência CONDEPE/FIDEM, Calendário Oficial de Datas Históricas dos Municípios de Pernambuco. Recife: CEHM, 2006. v. 3.
ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Rio de Janeiro: IBGE, 1958. v.18.
FONSECA, Homero. Pernambucânia: o que há nos nomes das nossas cidades. Recife: CEPE, 2009.
PERNAMBUCO. Tribunal de Justiça. História das Comarcas Pernambucanas. 2ª ed. Recife, 2010.

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